Rio Grande do Sul registra primeiro óbito por dengue em 2026

Rio Grande do Sul registra primeiro óbito por dengue em 2026

Rodrigo Méxas e Raquel Portugal / Acervo Fiocruz Imagens

O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), vinculado a Secretaria Estadual da Saúde, confirmou nesta sexta-feira (17) o primeiro óbito por dengue do ano no Rio Grande do Sul. A vítima é uma idosa de 83 anos, com comorbidades, residente do município de Jacutinga, no norte do Estado. O óbito ocorreu no dia 15 de abril.

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A confirmação reforça o alerta para a circulação do vírus da dengue no território gaúcho e a importância da adoção de medidas de prevenção, bem como da busca imediata por atendimento de saúde diante dos primeiros sintomas da doença.

Lamento muito a perda desta vida e me solidarizo com os familiares. Reforço a importância de as pessoas buscarem atendimento médico assim que surgirem os primeiros sinais e sintomas. O diagnóstico e o acompanhamento precoces são fundamentais para evitar o agravamento do quadro e reduzir o risco de complicações e óbitos, especialmente entre idosos, gestantes e pessoas com comorbidades – alertou a secretária da Saúde, Lisiane Fagundes.

Medidas de prevenção

A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em locais com água parada. Por isso, a principal forma de prevenção é eliminar possíveis criadouros, tanto dentro quanto fora das residências. A participação da população é essencial para reduzir a proliferação do mosquito e controlar a transmissão da doença.

Entre as medidas recomendadas, estão:

  • utilizar telas em portas e janelas e repelentes em áreas de maior transmissão
  • remover recipientes que possam acumular água, como pneus, garrafas, latas e vasos
  • manter caixas d’água e reservatórios devidamente vedados
  • desobstruir calhas, ralos e lajes, evitando o acúmulo de água

Estar atento aos sintomas também é uma forma de prevenção. Busque atendimento médico ao apresentar:

  • febre alta, com duração de dois a sete dias
  • dor atrás dos olhos (dor retroorbital)
  • dor de cabeça
  • dores no corpo e nas articulações
  • mal-estar geral
  • náusea e vômitos
  • diarreia
  • manchas vermelhas na pele, com ou sem coceira

Vacinação

Desde 2024, o Brasil passou a oferecer vacina contra a dengue pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O público-alvo atual são crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que apresenta elevado risco de hospitalizações pela doença.

Inicialmente, a vacinação ocorreu em áreas priorizadas pelo Ministério da Saúde, mas desde fevereiro deste ano a estratégia foi ampliada para todos os municípios, mantendo a mesma faixa etária elegível.

Esquema vacinal atual:

  • Público-alvo: crianças e adolescentes de 10 a 14 anos
  • Esquema: duas doses
  • Intervalo: três meses entre as doses

O imunizante atualmente utilizado na estratégia é a Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda Pharma. Paralelamente, o Ministério da Saúde iniciou a introdução de uma nova vacina 100% nacional, desenvolvida pelo Instituto Butantan.

A vacina, chamada Butantan-DV, é de dose única — a primeira desse tipo no mundo — o que facilita a adesão às campanhas de imunização. As primeiras doses já começaram a ser distribuídas no Rio Grande do Sul, destinadas inicialmente aos trabalhadores das equipes da Atenção Primária em Saúde (APS) do SUS.

A vacinação do público geral ocorrerá de forma gradual, conforme a disponibilidade de doses, com previsão de início pela população de 59 anos, avançando progressivamente até alcançar pessoas a partir de 15 anos.

Cenário estadual

Em 2026, até o momento, foram confirmados 596 casos de dengue e um óbito no Estado. Na comparação com o mesmo período do ano passado (até a 15ª Semana Epidemiológica), observa-se redução nos registros da doença no Estado. Em 2025, até essa mesma época, o Rio Grande do Sul contabilizava 20.573 casos confirmados de dengue e 13 óbitos.

Ao longo daquele ano, o total chegou a 52.794 casos e 53 mortes. O período de maior circulação da dengue no Estado ocorre historicamente no mês de abril, especialmente nas semanas epidemiológicas 15 e 16. Ainda que o ano atual apresente redução significativa de casos em relação ao anterior, é essencial manter as ações de prevenção e controle do mosquito, para evitar novos aumentos e consolidar a tendência de queda.

Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou o pior cenário da dengue em sua série histórica, com 209.669 casos confirmados e 281 óbitos. Já em 2025, houve redução expressiva, com 52.794 casos e 53 mortes.

Comparativo de casos e óbitos por dengue no RS até a Semana Epidemiológica 15 (por data de início dos sintomas):

  • 2026 – 596 casos e 1 óbito
  • 2025 – 20.573 casos e 13 óbitos (total do ano: 52.794 casos e 53 óbitos)
  • 2024 – 11.153 casos e 147 óbitos (total do ano: 209.669 casos e 281 óbitos)
  • 2023 –12.140 casos e 22 óbitos (total do ano: 38.737 casos e 54 óbitos)
  • 2022 – 36.753 casos e 37 óbitos (total do ano: 67.349 casos e 66 óbitos)

*com informações da SES RS

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